terça-feira, 15 de setembro de 2009

United we stand

Eu acho esse vídeo lindo. Ele fala de tanta coisa que qualquer tentativa de enquadrá-lo num texto seria um pecado.

domingo, 6 de setembro de 2009

Nos embalos de domingo à noite

ou De como eu sei ser objetivo

- Alô!?
- Oi!, vamos sair?
- Pra onde?
- Ah, num sei. Me chamaram pra The Week e prum bar lá na Gávea, mas tô com preguiça dos dois. Tava pensando numa coisa mais doméstica...
- Hum... Eu saí ontem, cheguei hoje cedo. Ai, Bruno, também tô com preguiça.
- Tá.
- Mas e aí, como você tá?
- Tô bem. Mas agora eu vou desligar porque você não quer sair e eu não vou ficar gastando meus créditos.
- Idiota!
- Beijo!! Também te amo!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Estorvo

"A poucos dias de seu primeiro casamento, Laura mal podia conter a preocupação. Amava muito seu futuro esposo e a consciência da importância do passo que dariam a fazia perder o sono - era um martírio o mistério do porvir.
De uma conversa com certa amiga, Laura ficou sabendo a respeito de uma velha senhora conhecida por realizar simpatias das mais diversas. Porque já não havia o que curasse sua crescente ansiedade, duas noites antes de seu casamento a jovem noiva bateu à porta da senhora.
Laura foi recebida por um olhar que não tinha expressão. Com palavras confusas, ela conseguiu explicar o motivo de sua visita e foi convidada a entrar. Contou de suas angústias e disse que buscava uma forma de garantir um casamento feliz e duradouro com o homem que escolhera. Recebeu instruções precisas que tratavam de quantidades e horários. Laura voltou para casa pensando em como coletaria fios da barba de seu futuro marido.
Escolhera casar em uma cidade distante; portanto, na véspera do casamento, estava em um hotel onde também se hospedavam seus familiares e os de seu noivo.
Decidida a pôr o plano em prática, foi silenciosamente ao banheiro buscar a navalha que havia comprado. Já passava da meia-noite.
O noivo cochilava sentando com uma das faces tocando o ombro esquerdo. A televisão ligada em um canal já desinteressante explicava a cena encontrada por Laura ao sair do banheiro. E seria muito simples. Faltava pouco.
Aproximou-se do rapaz pensando em resolver tudo com um simples e certeiro movimento. Porém, quando se preparava para a coleta, teve seus movimentos congelados pelo abrir dos olhos de seu noivo. Assustado, ele agarrou com força o punho de Laura e tomou a navalha para si.
Não houve tempo para explicações. Tudo parecia muito claro para o noivo ainda sonolento. Tomado de fúria, ele golpeou Laura impiedosamente. Os gritos da moça acordaram seus familiares no quarto ao lado.
- Ela tentou me matar! - gritou ao perceber que alguém se aproximava."

- Motorista, troca isso! Já chega as desgraças de todo dia!

"Não havia explicação que pudesse acalmar a raiva dos pais e irmãos da noiva. Eles então imobilizaram o rapaz, tomaram-lhe a navalha e fizeram com ele o que ele fizera com Laura.
Dois corpos no chão. Um banho de sangue. Foi isso que os parentes do noivo encontraram ao entrar no quarto de onde partiam aqueles gritos horrendos. Tomados pelo ódio que pairava naquele ambiente, a família do noivo avançou para os assassinos de seu filho, completando o desastre.
A velha conseguiu o que queria. Ela servia ao Satanás."

Escutei essa estória bizarra há umas 4 horas, no ônibus, entre cochilos e minutos de consciência. Não vou entrar numa de falar das características literárias de non-sense porque, né, não é o foco aqui. O que me chamou mesmo a atenção foi o fato de isso ter partido de uma rádio evangélica.
Olha, eu detesto quem faz cena em locais públicos; mas eu muito compartilho da opinião do carinha que falou com o motorista. Ser obrigado a escutar música gospel às 7:00 da manhã é ruim mas ainda vai lá... No fundo dá pra extrair alguma coisa que preste. Mas, né, what the fuck!?
Essa estória é ridícula e risível, eu sei. Mas isso não a torna menos incômoda. Se eu que nem estava totalmente acordado fiquei me sentindo mal com todo aquele sangue, fico imaginando como se sentiram as outras pessoas normais...
Eu podia continuar aqui e tocar na tecla da falta de respeito. Eu podia contar que havia crianças no ônibus. Eu podia questionar o caráter edificante dessa mensagem comparando-a a mensagens que se pode extrair de filmes de terror tão sanguinários quanto esse relato. Acontece que eu tô tão estupefato e preocupado que não acho que valha a pena.
E tem mais.
Mais tarde, o moço insistiu falando ao motorista que ele devia sintonizar a JB ou algo do tipo. Falou isso e desceu do ônibus. Segundos depois, uma moça muito solidária fechou o circo:
- Não troca, não. Deixa A PALAVRA incomodar.
E eu fico me perguntando, sabe? A que palavra ela se referia? Navalha, (banho de) sangue ou Satanás?
Incomoda mesmo.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Você vem sempre aqui?

(quem não ler tudo não vai pro céu!)
E aí que eu tô há séculos pra voltar a postar no Maçã. Mas é aquilo, né? É namoro que não dá certo, é one-night stand que se apaixona e me deixa com a consciência pesada, é dor de corno retroativa, são empregos (QUATRO!) que aparecem e me deixam sem tempo... Enfim, todo um conjunto de coisas que até hoje adiaram esta tão esperada volta. Esperada por mim, pelo menos.

Acontece que a manutenção/retomada de um blog implica a existência de um assunto a ser tratado. Temos, então, o problema número dois. Quando eu 'tava na merda por ter trocado um na mão por dois voando, só conseguia pensar sobre isso. E, uma vez que pretendo manter minha imagem pública de conquistador insensível, não quis materializar aqueles pensamentos. Depois veio o vazio: viajei, conheci gente estranha, li coisas, tive problemas em casa, quis matar alguns professores, pirei na coisa da gripe do porco e, então, a idéia de voltar aqui já nem existia.

Mas, como o mau filho que volta à casa pra pedir dinheiro emprestado, voltei. Voltei porque uma nova ordem vem se estabelecendo desse caos e, ao que parece, outra vez minha vida tem espaço pra futilidades desse tipo.

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A estranheza que nos causa a idéia de que a leitura seja um "veneno"
devastador é proporcional à empatia que sentimos diante da afirmação de que a
leitura é fator determinante para o sucesso das pessoas, sendo capaz de
minimizar os efeitos da pobreza, da cor, do gênero.

(ABREU, 2008, p.9)

Essa semana eu comecei a escrever meu pré-projeto pro Mestrado. Há algum tempo eu vinha lendo a pequena bibliografia que parcelei em 3x e, à moda Bruno Reis, fui fazendo umas anotações entusiasmadas em rodapés de livros e folhas que encontrava à mão. Quando finalmente decidi que 'tava na hora de começar a dar corpo ao texto, surgiu um impasse - 'mas aí eu começo por onde?'.

Olha, eu não sei como é pra você. Mas, pra mim, escrever é uma coisa muito dolorosa. São raríssimas as vezes em que eu sento lá e psicografo tudo bonitinho. Eu escrevo porque em geral gosto do RESULTADO e também porque acredito muito que o processo de escrita/ura me leve a um nível de reflexão que eu jamais alcançaria fora dele. E também porque gosto de escutar elogios no final de tudo, ca-la-ro!

A idéia pra esse pré-projeto veio quando assisti a uma campanha de promoção da leitura que alguém postou no YouTube. O caso é que não acredito muito que a leitura torne as pessoas mais inteligentes, livres e bonitas; acho isso muuuuuito questionável. Foi então que criei minha questão de pesquisa e, do alto de minha ingenuidade intelectual, achei que seria tranquilíssimo dar cabo dela. Comecei a ler a respeito.

Quando criança eu me achava muito inteligente por ter concluído o seguinte: uma vez que há taaaanta gente no mundo, todos, to-dos os pensamentos possíveis já foram pensados. Em outras palavras, eu não acreditava na existência do ineditismo. Cresci e tentaram me mostrar que eu estava errado. Porém, quando conheci a AD, descobri que eu era mesmo muito inteligente =P, eu poderia não ter estado completamente certo, mas de forma alguma havia estado completamente errado. Afinal de contas, o inédito nem faz sentido.

E porque a vida é muito engraçada, tive mais um dado a favor da minha teoria infantil quando comecei minhas leituras. Márcia Abreu, a dona da citação lá em cima, já havia questionado esse imaginário sobre a leitura/livro muito antes de mim. Claro, de uma forma diferente e por outros caminhos; mas 'tá lá, tá escrito. Nas 50 primeiras páginas de um livro chamado Cultura Letrada eu tomei consciência da superficialidade do estudo que eu 'tava pensando em propor. Foi ótimo e estranho. Enquanto eu ia me apaixonando pelas idéias da Márcia Abreu, eu ia entendendo a necessidade de aprofundar as minhas. Ao final do primeiro livro eu já não mais questão a apresentar.

Sabe, eu fico impressionado com a forma bem marcada como algumas mudanças ocorrem em nossa vida. É tão raro a gente perceber uma mudança intelectual, alguns anos a mais na idade emocional ou coisas do tipo que só se pode ficar contente quando se nota algo assim.

Depois do massacre, foram três meses até que eu conseguisse pensar em algo novo que me parecesse minimamente interessante. Peguei essa mesma citação com que iniciei esse texto e, a partir dela, dei início ao meu pré-projeto. A briga 'tá boa. Vejamos o que acontece.

Beijos

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Figurado


Mas onde pulsa o coração?



terça-feira, 21 de abril de 2009

Escapismo

- Sabe, se administrar um blog já não fosse trabalho suficiente, eu faria um Twitter. Eu vivo tendo vontade de frases soltas.

-Eu tô aqui preparando o trabalho lá pro INPLA. Tô naquela parte de separar tudo em pedaços: apresentação, motivações, objetivos, metodologia... Eu acho isso muito chato. Mas não dá pra negar que sistematização e sumarização (neologismo de uma prof. lá da UFF) são exercícios incríveis pro entendimento. Ninguém explica (bem) sem ter entendido.

- Hoje eu conversei com um amigo sobre relações dialéticas e dialógicas.

- Tô com várias intenções pra essa viagem a São Paulo.

- Há dois tipos de pessoas no mundo: as que querem te levar pra cama e as que querem te levar pro altar. O segredo do bom relacionamento é esconder a que grupo se pertence pelo maior tempo possível.


- Amanhã tem festa do povo da faculdade, a Trash Class Bash. Quero ver todo mundo mostrando o lado B.

- As pessoas acham que eu tenho cam pra fazer show erótico na Internet. Depois eu que sou pervertido!

- Ah! Ontem ficaram tentando me converter e eu achei a situação muito esquisita. Só não cortei porque eu não dispenso elogios.

- Eu ainda me surpreendo quando algum conhecido aparece dizendo que leu meu blog. Talvez seja o caso d'eu abrir um blog anônimo, criar um personagem e escrever indecências até a Gimenez me chamar pro programa dela.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Amo

Lá na Cultura a gente tem uma coisa muito legal que o povo chama de E-board. Coisa fina, sabe? Grosso modo, é uma tela de computador gigante que também funciona como lousa, banco de imagens e mais um mundo de coisas. Tem gente lá que diz não conseguir mais imaginar uma aula sem ele.
Didática aside, o E-board é uma ótima distração pra quando alunos faltam ou pra quando se tem que fazer hora por algum motivo. Sexta-feria passada, fim do dia de trabalho, eu catei minhas coisas e fui lá pro terceiro andar, onde não havia aulas. Levei comigo a chave da última sala do corredor. Entrei, apaguei as luzes, liguei o E-board e fiquei lá sentado, morgando ao som de Janis Joplin. Ai, ai...