Entre mortos e feridos, completei 22 anos. As primeiras horas do dia foram daquele jeito - acordei cedo e fiquei procurando o que fazer, força de um hábito recentemente adquirido. Meus pais e irmão não estavam em casa; daí fiquei lá, estirado na poltrona zapeando na TV. Só levantei quando chegaram, pra receber os cumprimentos.
Quando minha mãe perguntou se eu ia fazer alguma coisa à noite, encontrei a deixa perfeita pra iniciar as lamentações que repetiria algumas vezes no dia. Não vou sair, eu disse. Tá todo mundo viajando, ninguém quer nada. Fazer aniversário em feriado é mó furada. Vou ficar vendo televisão. Ligar pra standby no dia do aniversário é muito fim de carreira. Essa última parte eu não disse ela, mas achei importante registrar aqui.
Voltei pra poltrona e lá fiquei por várias horas. Só saí pra comer e receber os parentes que chegavam. Rolaram uns presentes legais, é verdade. Mas nada que combinasse muito com minha cara de morte e animação de gato de raça.
Bem mais tarde, já lá pelas oito, quando a programação especial de Páscoa do Discovery me parecia a coisa mais interessante do mundo, o resgate veio na forma de dois visitantes inesperados. Aí é meio estranho, né? Você lá, na sua sala, despenteado, com óculos velhos e roupas esquisitas curtindo uma derrota daquelas quando duas pessoas animadíssimas com seus sorrisos 'What's up?' te pegam no flagra.
Não demorou muito e saímos todos num clima destination unknown. A trilha da viagem foi um CD de funk que, segundo me disseram, "'tava perdido no carro há um tempão". Foi ótimo. Cheguei ainda agora.
Uma coisa legal: recebi uma ligação de ex-ex. Nem tinha o número desse celular. Pegou com uma amiga nossa.
Uma coisa chata: não recebi duas ligações/mensagens que eu realmente esperava.
Outra coisa legal: aprendi um funk novo.